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7 livros sobre mulheres, gênero, direitos e diversidade

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Neste 8 de março, a LeYa celebra o Dia Internacional da Mulher com uma seleção especial de livros. De Maria Madalena a Elza Soares, são textos que abordam a questão de gênero, discutem direitos e celebram a diversidade.

1. A bruxa não vai para a fogueira neste livro
Por meio da poesia, Amanda Lovelace conclama a união das mulheres contra as mais variadas formas de violência e opressão. Seu segundo livro aprofunda a combinação de contundência e lirismo que arrebatou leitores e marcou sua obra de estreia, A princesa salva a si mesma neste livro, cujos poemas se dedicavam principalmente a temas como relacionamentos abusivos, crescimento pessoal e autoestima. A obra resgata essa imagem ancestral da figura feminina naturalmente poderosa, independente e, agora, indestrutível para provar que “bruxa” não é xingamento – é, na verdade, uma mulher capaz de incendiar o mundo ao seu redor. “Ser uma/ mulher/ é estar/ pronta para a guerra/ sabendo/ que todas as probabilidades/ estão contra você – & nunca desistir apensar disso”, escreve.

 

2. Elza
Para a aclamada biografia oficial e definitiva de uma das maiores cantoras de todos os tempos e ícone cultural brasileiro, Elza Soares narrou a Zeca Camargo toda a sua história, da infância pobre ao sucesso. O resultado é uma experiência transformadora: são muitas histórias, alegrias e também tristezas – um turbilhão de sentimentos que se abrem com as insuperáveis barreiras superadas e a coragem inigualável desta Mulher do Fim do Mundo. “Quero andar, comer, dormir, amar, cantar. Ter isso, pra mim, é que é o verdadeiro poder”, afirma Elza. Fosse pela necessidade de colocar comida na mesa para os filhos – e eles não eram poucos –, fosse pela busca de seu sonho de cantar, de gritar até o fim, ela não mediu esforços, enfrentou derrotas, driblou obstáculos, viajou por boa parte do mundo, foi do inferno ao céu, mas nunca desistiu. A filha de dona Rosária, nascida no bairro carioca de Água Santa, recebeu o título de Voz do Milênio, atribuído pela BBC de Londres, após o Brasil e o mundo se curvarem à sua voz e ao seu carisma.

 

3. Deixe a peteca cair
Depois de dar à luz o seu primeiro filho, Tiffany Dufu lutava para equilibrar tudo o que precisava ser feito para conseguir ser uma mulher bem-sucedida tanto em casa quanto no trabalho. Logo, no entanto, começou a achar que alcançar seus objetivos pessoais e profissionais era algo impossível. Um dia, descobriu a solução para isso: abrir mão de controlar tudo e delegar parte das tarefas ligadas ao cuidado dos filhos e da casa ao marido. Em Deixe a peteca cair, Tiffany conta como aprendeu a reavaliar suas expectativas, diminuir sua lista de afazeres e pedir ajuda ao companheiro e a outras pessoas, abrindo o espaço de que precisava para florescer no trabalho e desenvolver uma relação doméstica mais significativa e profunda. Oferecendo uma nova perspectiva sobre por que as mulheres estacionaram na sua ascensão profissional e dando vários conselhos valiosos, o livro instiga as mulheres a aceitarem a imperfeição e esperarem menos de si mesmas.

 

4. Pós-F: Para além do feminino e do masculino
“No meu braço esquerdo tenho tatuado o verso de Madonna: ‘Do you know what it feels like in this world for a girl?’ (Você sabe como se sente uma garota neste mundo?) Essa é a pergunta que ecoa desde que a tatuei, há muitos anos. Eu sei como me sinto. E, aqui, conto um pouco.” Em textos autobiográficos, a escritora Fernanda Young se revela como uma das tantas personagens femininas às quais deu voz, sempre independentes e a quem a inadequação é um sentimento intrínseco. E esse constante deslocamento faz com que ela seja capaz de observar o feminino e o masculino em todas as suas potencialidades. É daí que surge o Pós-F., pós-feminismo e pós-Fernanda, um relato sincero sobre uma existência livre de estigmas calcada na sobrevivência definitiva do amor, no respeito inquestionável ao outro e na sustentação do próprio desejo.

 

5. Falsa acusação
Uma história da qual já ouvimos falar inúmeras vezes: uma mulher, vítima de estupro, vai à polícia fazer uma denúncia e acaba sendo interrogada com desconfiança pelos policiais – “com que roupa você estava?”, “o que estava fazendo na rua a essa hora?”, “por que abriu a porta?”, “qual a quantidade de bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes que você tinha ingerido?”, “por que você está querendo chamar atenção?” A única pergunta que falta nessa lista é: até quando isso vai acontecer? Um livro eletrizante, importante e perturbador, Falsa acusação é baseado numa história real e num artigo vencedor do Prêmio Pulitzer de jornalismo investigativo. Os jornalistas T. Christian Miller e Ken Armstrong acompanham o trabalho incansável e a dedicação de duas detetives para colocar um estuprador em série na cadeia e dar voz às suas vítimas – fazendo também uma análise da maneira ultrajante como as mulheres são tratadas quando denunciam casos de violência sexual.

 

6. Mulheres do Brasil
Partindo da constatação de que existe um padrão recorrente que apaga, deturpa ou diminui a participação das mulheres nos grandes episódios que marcaram a trajetória do país, o pesquisador Paulo Rezzutti se propôs a narrar a história não contada das Mulheres do Brasil. Desde o descobrimento, passando pela escravidão, capitanias hereditárias, guerras, revoltas e batalhas, até a atuação nos campos das artes e política, ele resgata narrativas incríveis e figuras extraordinárias sobre as quais sabíamos pouco ou sequer tínhamos ouvido falar, mas que tiveram relevância nos mais variados períodos históricos. “O feminismo é uma luta, sem dúvida alguma, das mulheres, mas acredito que a aliança com homens com empatia por essa luta, e que combatem toda e qualquer discriminação, como a de gênero, pode ser válida. Não existem apenas homens no mundo, como não existem somente mulheres. Juntos, acredito eu, podemos caminhar para uma sociedade mais igualitária e menos patriarcal”, afirma Rezzutti.

 

7. #MadalenaSemFiltro
“Tenho tanto a dizer! Fui silenciada pela força dos homens. Tratada como a última das últimas.” É olhando para o mundo atual e contando sua história que Maria Madalena ressurge no livro do escritor e jornalista Rodrigo Alvarez. #MadalenaSemFiltro apresenta um texto tocante em que ela, em primeira pessoa, revisita suas lutas, verbaliza suas ideias sobre os homens, detalha sua relação com Jesus, se mostra indignada com as injustiças que sofreu e reflete sobre seu passado e seu presente – o século XXI, quando foi finalmente reconhecida como amiga fiel daquele a quem todos chamam Cristo e uma das primeiras mulheres que disseram “não” aos papeis impostos e pré-concebidos pelo mundo dos homens. Relevante pela personagem, pelos fatos que expõe e pelas injustiças que denuncia, é um livro que combina ficção e não ficção com muita propriedade.