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9 livros que vão ajudar a entender o Brasil e o mundo hoje

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Com uma coisa pessoas das mais diferentes ideologias certamente vão concordar: vivemos tempos estranhos, confusos, conturbados. Desastres ambientais, ameaças à liberdade, corrupção, desigualdade, insegurança, intolerância, descrença em relação à política, falta de perspectivas… Como podemos entender o Brasil e o mundo de hoje para, dessa forma, contribuirmos para a construção de um futuro melhor? Selecionamos nove livros do nosso catálogo que, abordando os mais diversos temas, podem nos ajudar a começar. Vamos lá?

1. O espetáculo da corrupção

Um livro sobre como combater a corrupção sem destruir o país. Em O espetáculo da corrupção, o advogado Walfrido Warde radiografa os efeitos devastadores dos crimes de colarinho branco no Brasil e analisa os equívocos do sistema criado para enfrentar a roubalheira. Ele explica que não precisamos destruir o capitalismo brasileiro para combater a corrupção, não precisamos destruir as empresas para punir os empresários corruptos e tampouco precisamos destruir a política para prender os políticos corruptos. É uma obra para corajosos: ao mesmo tempo contra a imoralidade e contra o moralismo barato.

2. O mundo que não pensa

Quando foi a última vez que você decidiu, por si próprio, o que comprar, que amigo adicionar à sua vida, como passar o seu tempo livre e, principalmente, o que pensar sobre o mundo que vivemos? Escrito pelo jornalista Franklin Foer, O mundo que não pensa, um dos livros mais aclamados e polêmicos dos últimos anos, mostra o lado sombrio e preocupante da tecnologia do nosso cotidiano. Para o autor, estamos terceirizando nossas capacidades intelectuais para empresas como Apple, Google e Facebook, dando origem a um mundo onde a vida social e política passa a ser cada vez mais automatizada e menos diversa.

3. A política em tempos de indignação

Vivemos momentos de profunda descrença e indignação popular contra a política. Do Brasil à Europa, os anos de crise têm enchido as ruas de protestos mundo afora. Em A política em tempos de indignação, um dos mais importantes pensadores da atualidade mostra o que há de bom e de perturbador nestes tempos difíceis: Daniel Innerarity revela como a compreensão da política e do que ela pode nos proporcionar é capaz de evitar falsas expectativas e frustrações, e gerar críticas e propostas construtivas. Mais do que isso, diz por que é preciso ir além da indignação e dos protestos e aponta os riscos de enxergar a política como a culpada de todos os males.

4. Cidades e soluções

A maior parte da população mundial vive hoje nas cidades – essas aglomerações de pessoas e concreto em que sobram problemas e falta planejamento. A urbanização desordenada traz inúmeros desafios e uma certeza: não há solução para a humanidade que não passe necessariamente pela transformação das cidades. Escrito por André Trigueiro, jornalista especializado em gestão ambiental e sustentabilidade, Cidades e Soluções: Como construir uma sociedade sustentável é um livro fundamental para o debate sobre o que precisa mudar para assegurar a sobrevivência do planeta.

5. Desigualdade 

A desigualdade é um dos problemas sociais mais urgentes que enfrentamos no mundo contemporâneo. Anthony B. Atkinson, professor de Thomas Piketty (autor do best-seller O capital no século XXI e que assina a introdução da obra), foi pioneiro na pesquisa sobre o assunto e combina suas experiências para tratar das diversas dificuldades decorrentes dessa questão. Apresentando um conjunto de medidas que poderiam trazer uma verdadeira revolução na distribuição de renda, Desigualdade mostra que o problema não é simplesmente os ricos estarem ficando cada vez mais ricos; também não estamos sendo bem-sucedidos em combater a pobreza. Atkinson recomenda políticas ambiciosas em cinco áreas: tecnologia, emprego, segurança social, distribuição de capitais e tributação. Além de um programa de mudança, este livro é uma voz de esperança e otimismo, fundamentado nas possibilidades de ação política em prol da redução da desigualdade.

6. Era uma vez um sonho

A história de J.D. Vance poderia ser igual a de milhares de outras pessoas que cresceram nas mesmas condições que ele. Seus avós migraram para a região dos Estados Unidos conhecida como Cinturão da Ferrugem, onde se tornaram operários de classe média. Mas a relativa ascensão social não significou que seus descendentes conseguissem escapar da situação de pobreza material e cultural que os prendia a um ciclo contínuo de violência doméstica, abuso de álcool e drogas e falta de perspectivas de forma geral. É nesse contexto que o autor de Era uma vez um sonho nasce e cresce, alternando momentos de negação da (des)estrutura familiar e outros de proximidade, mas nunca deixando de tentar entender o que estava errado e o que os levava a cometerem sempre os mesmos equívocos, comuns também às famílias vizinhas. J.D Vance transforma sua experiência pessoal numa narrativa emocionante sobre a degradação da classe trabalhadora branca americana – mas que poderia se passar em qualquer outro lugar do mundo. É pioneiro ao trazer uma perspectiva interna do declínio de um grupo social, visto pelos olhos de alguém que conseguiu romper com essa situação e se formar em direito numa das mais prestigiadas universidades do país. Best-seller #1 do New York Times, o livro é indicado também a quem deseja compreender as condições que suscitaram a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA.

7. Carta aos escroques da islamofobia que fazem o jogo dos racistas

Charb, defensor aguerrido da igualdade de direitos dos principais nomes que fizeram a fama do jornal Charlie Hebdo – onde trabalhou como editor e foi uma das vítimas fatais do atentado à redação em fevereiro de 2015 –, reflete sobre sua preocupação em ver a luta antirracista ser substituída por uma luta pela proteção e a promoção de uma religião. Porque o termo “islamofobia” sugere que é mais grave detestar o islamismo, isto é, uma corrente de pensamento perfeitamente criticável, do que os muçulmanos. E, se criticar uma religião não é um crime, discriminar alguém por causa da sua afiliação religiosa o é, sem sombra de dúvidas. Trata-se de um opúsculo salutar que serve para mostrar que a palavra “islamofobia” só agrada aos racistas, islamitas radicais, políticos demagogos e jornalistas preguiçosos. Como escreveu o jornalista Arthur Dapieve, Carta aos escroques da islamofobia que fazem o jogo dos racistas “deveria ser lido por todos pela objetividade do que expõe: o problema não é apenas o fundamentalismo religioso, minoritário e barulhento, mas todo o ambiente relativista, que tende a ‘compreender’ o terror e, assim, incentivá-lo”.

8. À sombra do poder

No dia 12 de maio de 2016, a presidente Dilma Rousseff foi afastada provisoriamente do cargo com a instalação do processo de impeachment que, três meses depois, culminaria com a posse de seu vice, Michel Temer. A agonia do governo foi acompanhada de perto pelos brasileiros que, contra ou a favor da permanência de Dilma no poder, grudaram seus olhos nas telas de TV e páginas de jornal em busca de mais detalhes dos acontecimentos. Com este livro, o público tem a chance de conhecer os bastidores de sua queda vistos de dentro do Palácio da Alvorada. Secretário de Imprensa da presidente nos últimos nove meses de mandato, o cientista político e jornalista Rodrigo de Almeida acompanhou e trabalhou na administração das crises mais agudas que construíram o calvário presidencial. À sombra do poder une a força de um relato jornalístico preciso à análise arguta da sequência de problemas externos e internos enfrentados pelo governo para manter-se de pé. Os problemas com o Congresso, a Lava Jato, o vice-presidente conspirador, o abandono dos partidos da base aliada, a polêmica nomeação de Lula para a Casa Civil, Eduardo Cunha, o distanciamento em relação ao PT e o estado de espírito de Dilma até as últimas horas antes de ser afastada fazem parte deste livro imprescindível para quem busca conhecer os detalhes do episódio da história política que moldou a realidade brasileira que vivemos hoje.

9. Radical 

Maajid Nawaz passou a adolescência escutando hip-hop americano e estudando o movimento islâmico radical que se espalhou pela Europa e Ásia entre as décadas de 1980 e 1990. Aos 16 anos, ele já era membro do Hizb ut-Tahrir, um grupo islamista baseado em Londres. Ele rapidamente galgou os degraus para se tornar um recruta de ponta, um carismático porta-voz para a causa da unidade islâmica e a ampliação de seu poder político ao redor do globo. Nawaz estava organizando grupos satélites no Paquistão, Dinamarca e Egito, quando foi preso nos desdobramentos do 11 de Setembro junto com muitos outros muçulmanos radicais. Enviado para uma prisão no Egito, foi fortuitamente alojado junto aos responsáveis pela morte do presidente egípcio Anwar Sadat. Mas os vinte anos de cadeia haviam mudado a visão dos assassinos sobre a violência e o Islã. Maajid chegou pregando a causa islamita, mas as lições tomaram outro rumo. Ele deixou o presídio após quatro anos completamente mudado, convencido de que seu conjunto de crenças estava equivocado, e determinado a fazer algo a respeito. Radical traz um olhar fascinante e importante sobre a jornada de um homem para fora do extremismo e em direção a algo totalmente diferente.