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9 revelações do psicanalista que analisou a mente de Adolf Hitler

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No início dos anos 1940, em meio à Segunda Guerra Mundial, o psicanalista Walter C. Langer ouviu dezenas de pessoas que conviveram diretamente com Adolf Hitler para traçar um perfil psicológico do líder nazista. Redigido originalmente em 1943, quando Hitler ainda estava vivo, como um documento contratado pelos militares americanos para contribuir com a derrota alemã no conflito, foi posteriormente transformado no livro A mente de Adolf Hitler, que, até hoje, é uma obra reveladora que destrincha não só a personalidade de Hitler, mas também de todo o espírito daquela época. Destacamos aqui alguns dos fatos mais impactantes da leitura, complementando com trechos do texto de Langer.

1. Quando Hitler surgiu, o mundo o observou e o considerou divertido. 

“Muitas pessoas se recusaram a levá-lo a sério, alegando que ‘provavelmente ele não vai durar’. Quando uma ação após a outra teve um sucesso incrível e seu tamanho se tornou mais evidente, o divertimento se transformou em incredulidade. Para a maioria das pessoas, parecia inconcebível que essas coisas pudessem mesmo acontecer em nossa civilização moderna. Hitler, o líder dessas atividades, passou a ser habitualmente considerado um louco, ou até mesmo inumano”, escreveu Langer em 1943. “Essa visão simplista, porém, é toda inadequada para aqueles responsáveis por conduzir a guerra contra a Alemanha ou para aqueles que terão que lidar com a situação quando a guerra acabar. Perceberão que a loucura do Führer se tornou a loucura de um país, ou até mesmo de uma grande parte do continente. Perceberão que não se trata inteiramente das ações de um único indivíduo, mas que existe um relacionamento recíproco entre o Führer e o povo, e que a loucura de um estimula a do outro, e vice-versa. Não foi só Hitler, o louco, que criou a loucura alemã; a loucura alemã também criou Hitler.”

2. O povo alemão enxergava Hitler como “o verdadeiro Espírito Santo”. 

Walter C. Langer relata que no Congresso do Partido Nazista, em 1937, havia uma foto imensa de Hitler com a inscrição “No princípio, era o Verbo…” Já o prefeito de Hamburgo teria dito na mesma época: “Não precisamos de padres ou sacerdotes. Nós nos comunicamos diretamente com Deus por meio de Adolf Hitler. Ele tem muitas qualidades semelhantes às de Cristo”. Logo depois, o Partido adotou o seguinte credo: “Todos nós acreditamos, nesta terra, em Adolf Hitler, nosso Führer, e reconhecemos que o Nacional Socialismo é a única fé que pode trazer a salvação ao nosso país.” Em abril de 1937, um grupo de cristãos alemães aprovou esta resolução: “A palavra de Hitler é a lei de Deus; os decretos e as leis que a representam têm autoridade divina”. E o ministro para Assuntos da Igreja do Reich, Hanns Kerrl, afirmou: “Surgiu uma nova autoridade quanto a que Cristo e o cristianismo realmente são: Adolf Hitler. Adolf Hitler… é o verdadeiro Espírito Santo.”

3. Hitler acreditava ter sido escolhido para fundar uma nova ordem social para o mundo. 

“Um exame de todas as evidências nos obriga a concluir que Hitler acredita que está destinado a se tornar um Hitler imortal, escolhido por Deus para ser o novo Salvador da Alemanha e o fundador de uma nova ordem social para o mundo”, afirmou Langer. “Ele acredita estoicamente nisso e tem certeza de que, apesar de todos os testes e atribulações pelos quais deve passar, finalmente alcançará esse objetivo. A única condição é que siga os ditames da voz interior que o guiaram e o protegeram no passado. Essa convicção não está baseada na verdade nas ideias que ele transmite, mas sim na convicção de sua grandeza pessoal. Howard K. Smith faz uma observação interessante: ‘Estava convencido de que, de todos os milhões sobre os quais o Mito de Hitler se fixou, o mais arrebatado foi o próprio Adolf Hitler’.”

4. Hitler valorizava a brutalidade, a crueldade, a dominação e a determinação, rejeitando todas as qualidades humanas estabelecidas – principalmente o intelecto. 

“A imagem que Hitler criou foi uma forma de compensação para suas próprias inferioridades, inseguranças e culpas. Portanto, a imagem negou todas as suas características anteriores e as converteu em seus opostos, e no mesmo grau. Todas as qualidades humanas de amor, piedade, simpatia e compaixão foram interpretadas como fraquezas e desapareceram na transformação”, relatou o psicanalista. Nas palavras do próprio Hitler: “Toda a passividade, toda a inércia… [tornaram-se] sem sentido, hostis à vida”; “[…] se um povo quiser se tornar livre, precisará de orgulho, força de vontade, provocação, ódio, ódio e, de novo, ódio”; “Se você não estiver preparado para ser impiedoso, não chegará a lugar algum”; “Devemos suspeitar da inteligência e da consciência e devemos ter fé em nossos instintos.”

5. Nos bastidores, Hitler era ótimo imitador, notório procrastinador, ávido consumidor de pornografia e chegava a comer um quilo de chocolate num só dia. 

Entrevistando pessoas que em algum momento foram próximas ao líder nazista, Langer foi capaz de traçar um perfil humanizado de Hitler. O psicanalista conta que, nos bastidores, ele se mostrava “um imitador excelente e, muitas vezes, representa o papel do indivíduo envolvido, para grande divertimento da equipe, enquanto o indivíduo deve ficar testemunhando a atuação, para seu próprio constrangimento.” Outra de suas marcas, que vai de encontro a uma imagem pública impetuosa e obstinada, era a procrastinação.”Embora Hitler tente se apresentar como um indivíduo muito decidido, que jamais hesita ao ser confrontado por uma situação difícil, ele está longe disso na maioria das vezes. É bem nesses momentos que sua procrastinação se torna mais acentuada. Nesses momentos, é quase impossível fazê-lo agir. Ele permanece bastante ensimesmado e, frequentemente, se mantém quase inacessível à sua equipe imediata. Muitas vezes, fica deprimido e de mau humor, conversa pouco e prefere ler um livro, assistir a um filme ou brincar com maquetes arquitetônicas.”

Também é curioso ler sobre algumas compulsões gastronômicos do Füher. “O departamento de propaganda nazista escreveu muito sobre o estilo de vida modesto de Hitler. Aos olhos de seus colaboradores, isso também foi valorizado em demasia. Embora ele seja vegetariano, a maioria deles acha que suas refeições dificilmente podem ser consideradas uma forma de privação. Hitler consome grande quantidade de ovos, preparados de 101 maneiras diferentes pelo melhor chefe da Alemanha, e sempre há uma grande variedade de verduras frescas preparadas de maneiras incomuns. Além disso, Hitler consome quantidades inacreditáveis de doces e muitas vezes até um quilo de chocolates ao longo de um único dia.”

Além disso, o consumo de pornografia fazia parte de sua rotina. “Um dos passatempos de Hitler que é cuidadosamente escondido do público é seu gosto pela pornografia. Ele mal consegue esperar o lançamento da próxima edição de Der Stürmer, e quando o semanário é publicado, ele o lê avidamente de cabo a rabo. Ele parece sentir grande prazer com as histórias obscenas e os cartuns que aparecem em suas páginas. Para Rauschning, Hitler disse que Der Stürmer ‘era uma forma de pornografia permitida no Terceiro Reich’. Além disso, Hitler tem uma grande coleção de nus fotográficos e, de acordo com Hanfstaengl e outros, ele também gosta de assistir a filmes pornográficos em seu cinema privado, alguns dos quais são produzidos por Hoffmann para seu proveito.”

6. Hitler era um péssimo debatedor e jamais se expunha a uma plateia crítica. 

“Hitler é incapaz de competir com outra pessoa numa discussão objetiva. Ele expressará sua opinião em detalhes, mas não a defenderá numa base lógica. Strasser diz: ‘Hitler tem medo da lógica. Ela dá respostas evasivas, jogando em sua cara um argumento totalmente distante do que você estava falando.'” Langer prossegue: “Hitler também fica nervoso e tende a perder a compostura quando precisa encontrar jornalistas. Sendo um gênio da propaganda, ele entende o poder da imprensa de influenciar a opinião pública e sempre provê jornalistas com assentos privilegiados em todas as cerimônias. Quando se trata de entrevistas, porém, ele fica na defensiva e insiste que as perguntas sejam apresentadas com antecedência. Quando a entrevista acontece, Hitler consegue manter considerável equilíbrio, porque tem suas respostas preparadas. Mesmo assim, ele não abre brechas para que sejam pedidos mais esclarecimentos, pois, de imediato, começa uma dissertação prolongada, que, às vezes, converte-se num longo discurso. Quando termina, a entrevista é encerrada. Hitler também fica apavorado quando é chamado para falar com intelectuais ou qualquer grupo no qual perceba oposição ou a possibilidade de críticas.”

7. Do ponto de vista psicológico, Hitler era um psicopata neurótico atormentado por medos, ansiedades, dúvidas, recriminações, sentimentos de solidão e de culpa. 

Segundo o relatório de Langer, “houve uma concordância geral entre os colaboradores de que Hitler é provavelmente um psicopata neurótico que beira a esquizofrenia. Isso significa que ele não é louco no sentido comum do termo, mas sim um neurótico que carece de inibições adequadas. Ele não perdeu por completo o contato com o mundo ao redor e ainda tenta fazer algum tipo de ajuste psicológico que lhe dará um sentimento de segurança em seu grupo social. (…) Com esse diagnóstico estabelecido, temos condições de fazer algumas conjecturas sobre os processos mentais conscientes que se desenrolam na mente de Hitler. Eles constituem o núcleo do ‘Hitler’ que ele conscientemente conhece e com que deve viver. Não é, com toda probabilidade, um “Hitler” feliz, mas sim um acossado por medos, ansiedades, dúvidas, receios, incertezas, recriminações, sentimentos de solidão e de culpa. Pela nossa experiência com outros psicopatas neuróticos, é provável que estejamos bem fundamentados quando supomos que a mente de Hitler é como uma enorme batalha a maior parte do tempo, com muitas forças e impulsos conflitantes e contraditórios arrastando-o para um lado e para outro.”

8. O comportamento sexual de Hitler poderia ser descrito como “radicalmente masoquista”. 

“Hanfstaengl, Strasser, Rauschning e também diversos outros entrevistados relataram que, mesmo na companhia de outras pessoas, quando Hitler está apaixonado por uma garota, tende a rastejar aos pés dela da maneira mais repugnante. Aqui, ele também insiste em dizer para a garota que é indigno de beijar sua mão ou de se sentar ao seu lado e que espera que ela seja gentil e outras coisas do tipo. Em tudo isso, observamos a luta constante contra a completa degradação sempre que algum componente afetivo entra em cena. Agora fica claro que a única maneira pela qual Hitler pode controlar essas tendências coprofágicas ou suas manifestações mais brandas é isolando-se de quaisquer relacionamentos íntimos em que sentimentos acolhedores de afeto ou amor possam se impor. Assim que esses sentimentos são despertados, Hitler se sente obrigado a se humilhar aos olhos do ente amado e a comer seus excrementos figurativamente, quando não literalmente. Essas tendências o repugnam tanto quanto a nós, mas, nessas circunstâncias, elas ficam fora de controle, e ele se despreza e se condena por sua fraqueza. Antes de considerar outros efeitos dessa luta em seu comportamento manifesto, devemos fazer uma pausa por um momento e analisar outro tópico.”

9. A análise psicológica de Hitler foi capaz de prever seu suicídio. 

Para Langer, que escreveu seu relatório em 1943, dois antes da morte de Hitler, o suicídio seria “o desenlace mais plausível”. O psicanalista prossegue: “Não só ele muitas vezes ameaçou se suicidar, bem como, do que sabemos de sua psicologia, é a possibilidade com mais chances de acontecer. É provável que ele tenha um medo exagerado da morte, mas, sendo um psicopata, poderia, sem dúvida, preparar o personagem do super-homem para o pior e realizar a ação. É quase certo, porém, que não seria um suicídio simples. Hitler é teatral demais para isso, e como a imortalidade é uma de suas intenções dominantes, podemos imaginar que ele encenaria a morte mais dramática e eficaz que fosse capaz de pensar. Hitler sabe como vincular as pessoas a ele, e, se não puder ter o vínculo em vida, com certeza fará o máximo para alcançar isso na morte. Ele pode até empregar algum outro fanático para realizar o assassinato às suas ordens. Hitler já imaginou uma morte desse tipo, pois disse a Rauschning: ‘Sim, na hora do perigo supremo, devo me sacrificar pelo povo.’ Do nosso ponto de vista, isso seria extremamente indesejável, porque, se feito com inteligência, fixaria a lenda de Hitler tão vigorosamente na mente do povo alemão que poderia levar gerações para erradicá-la.”

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