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Bem-vindo ao OASIS

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Conheça o futuro oitentista do livro Jogador Nº 1, de Ernest Cline, que chega em março aos cinemas com direção de Steven Spielberg

 

por Rômulo Medina

Em 29 de março vamos finalmente poder pegar o pacotinho de MM’s e a Coca-Cola (odeio pipoca) para ir ao cinema passar umas horinhas com o novo trabalho do Steven Spielberg, um dos grandes pais da cultura pop atual. É o dia da estreia de Jogador Nº 1, dirigido pelo Spielberg (E.T., Jurassic Park, TubarãoIndiana Jones), com atuações de Tye Sheridan (X-Men Apocalipse) e Olivia Cooke (Bates Motel) e roteirizado por Zak Penn (Inspetor Bugiganga, Vingadores e X-Men – em ordem de importância) e Ernest Cline, autor do livro que inspirou o longa. E é sobre ele que vamos falar hoje. Entra a vinheta de abertura.

 

Sim

 

Jogador Nº 1  (2011) é o romance de estreia de Ernest Cline, publicado no Brasil pela editora LeYa. A história começa em 2044, num mundo sem esperança onde ninguém tem vislumbre de um lugar melhor.

Quer dizer, exceto pelo OASIS.

Não, não estou falando de viajar nas letras e balanço marcantes dos irmãos Gallagher (e prometo que essa é a última piada infame do texto). O OASIS é um ambiente virtual completo e infinito criado por James Halliday – uma mistura de Steve Jobs com Bill Gates – onde o mundo todo aprendeu a viver. Quando digo “viver” estou sendo bem exato – o mundo real está completamente destruído por todos os tipos imagináveis de crises sociais, políticas e de recursos. Tornou-se inviável e arriscado sair de casa para fazer qualquer coisa, enquanto o OASIS é seguro (e acessível) para a educação das crianças (imagina que louco seria uma Galinha Pintadinha imersiva – quebrei minha promessa), o relacionamento dos jovens e o trabalho dos adultos. É um ambiente onde todos, juntos ou separados, podem fazer absolutamente qualquer coisa que tenham em mente. Uma espécie de Matrix com Second Life com óculos VR.

 

Welcome to the VR World

 

O OASIS, como o nome sugere, é o alívio em meio ao deserto aflitivo das relações humanas num mundo em que o olho no olho é facilmente (e preferencialmente) substituído pelo contato via touchscreen (qualquer semelhança com nosso mundo é mera coincidência). E, graças a programas do governo patrocinados pelo próprio criador do jogo, todas as famílias recebem seus próprios dispositivos para que entrem na plataforma e nela se mantenham. É um mundo virtual infinito e gratuito, onde os abismos sociais do real são substituídos por meras diferenças de sets de equipamentos e skins que seu personagem pode ter (freeplayers sempre precisam ter mais persistência e aturar itens não personalizáveis).

Tudo vai bem até que James Halliday morre e deixa como legado sua última quest:

Três chaves escondidas abrem três portões guardados
E três boas qualidades deverão ser inerentes ao errante avaliado
Quem demonstrar ter os exigidos predicados
Chegará ao fim, onde o prêmio será alcançado

O prêmio: toda a sua herança, o que inclui 240 bilhões de dólares e o controle total do OASIS (o que é, basicamente, se tornar o Neo).

É então que conhecemos Wade Watts, garoto pobre que vive em um condomínio de pilhas de trailers (literalmente trailers empilhados uns nos outros) no subúrbio de Oklahoma e não tem esperança de sair de lá. Ele, como qualquer jovem de 18 anos de sua época (e talvez da nossa também), aprendeu a viver completamente no ambiente digital – e é lá que encontra sua fuga da realidade e uma forma de suportar uma existência vazia e sem muitos objetivos (estou ficando assustado). Eis que James Halliday, seu grande ídolo, morre e deixa essa grande bomba lançada – não é simplesmente a oportunidade de se tornar um milionário, é o poder de ser o deus do mundo criado por Halliday, mais importante na vida das pessoas do que o mundo real.

 

Ahhhh, referênciaaaaaas!

 

Como a cerejinha em cima desse bolo, temos o fato de que Halliday era viciado na cultura pop dos anos 80 e fez com que as pistas de sua corrida fossem baseadas nela, fazendo com que todos busquem aprender o máximo sobre aquela época. Pronto, é o suficiente para que as ombreiras e o cós alto voltem com tudo à vida digital das pessoas. Penteados à la Tears for Fears se misturam ao revival do Atari e festas embaladas pelas músicas do Billy Idol. Os anos 80 retornam numa salada de referências que deixaria até o Capitão América emocionado – e, no meio disso tudo, nosso improvável Parzival (nome do avatar de Wade Watts no OASIS) encontra a primeira chave e nos lembra que não estamos aqui por Cindy Lauper e tailleurs, mas para decidir quem será a pessoa mais poderosa de ambos os mundos. E tem início a corrida.

Vamos evitar a cultura do spoiler aqui, podem ficar tranquilos, mas o que vemos na obra de Ernest Cline é a surpresa de encontrar um livro que, inicialmente,  engana o leitor como uma aventura pop para amantes de videogames e, então, se transforma num thriller para nerds crescidos.

As referências constantes à cultura pop dos anos 80 são um livro à parte que você pode explorar ou não (mas quanto mais das possibilidades oferecidas pelo texto você puder aproveitar, mais intensa será sua experiência). No plano central, temos o que parece ser uma clássico herói improvável lutando contra grandes corporações inescrupulosas se transformando num ícone da resistência do autêntico fã, o cara que é realmente apaixonado pelas coisas que escolheu gostar, contra as imposições da produção em série de formatos e ídolos.

Até que, num ponto da história, a guerra sai do ambiente virtual, trazendo a importância da realidade para apreciarmos ainda mais a ficção, e, no clímax, entra no campo afetivo, mostrando o que temos quando realmente nos dedicamos a uma causa.

Jogador Nº 1 é um livro de aventura para jovens, uma história nostálgica para adultos e, principalmente, uma ode à cultura pop feita de fã para fã.

 

QUAL O KI DESSE FANDOM??