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Eu ESCREVO “Wild Cards” – por George R.R. Martin

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George R.R. Martin detalha sua função em “Wild Cards” e explica como e por que você deve ler a série

 

Alguns leitores se queixaram do fato de meu nome estar nas capas dos livros da série “Wild Cards”, já que eu “não os escrevi”. Essa reclamação, na minha humilde opinião, é uma besteira. Não, não sou o único autor das histórias de “Wild Cards”, sou somente um dos… ah, deixe-me pensar, acredito que estávamos em 41 autores na última contagem.

Sou, no entanto, o editor de cada um dos 23 volumes publicados até hoje, e também dos que estão por vir… Sou o cara que recruta todos esses autores, determina o caminho que as tramas devem seguir, faz propostas, aceita e rejeita, e orienta tudo o que deve ser reescrito. (E há MUITA reescrita em “Wild Cards”, para garantir que cada parte se encaixe perfeitamente e o conjunto seja algo além de uma simples soma das partes). É muito mais trabalho do que qualquer tipo de antologia, acreditem… Ainda que eu ame fazer isso, por isso não reclamo… muito. Eu mereço esse crédito, o que faz com que a insinuação de que meu nome está sendo meramente estampado na capa enquanto outra pessoa faz o trabalho não seja só ignorante, mas também ofensiva.

Além disso, sim, eu ESCREVO “Wild Cards”, além de editar a série. Escrevi mais nos primeiros anos, admito, antes de Westeros e “As Crônicas de Gelo e Fogo” surgirem para engolir praticamente todo o meu tempo de escrita. Verdade seja dita, não há nada que eu amaria mais do que escrever mais histórias de “Wild Cards”. Tenho alguns personagens favoritos que adoraria revisitar (Lohengrin, Hoodoo Mama)… e tenho histórias para contar. Mas tudo isso terá de esperar até que eu termine Os ventos do inverno e, talvez, também O sonho da primavera.

O que me leva ao A mão do homem morto, sétimo volume da série.

Se você é desses que não experimentaram “Wild Cards” porque não há textos meus o bastante, bem, esta é sua chance de começar. Porque este volume traz MUITA coisa minha. O típico romance-mosaico contém o trabalho de pelo menos meia dúzia de escritores (ou mais), com muitos personagens, mas este aqui tem somente dois de nós. A mão do homem morto é uma espécie de suspense noir, com dois detetives muito diferentes tentando desvendar um assassinato grotesco no Bairro dos Curingas. As estrelas são Yeoman, o ás de espadas vigilante, criado por John Jos. Miller… e meu Popinjay, Jay Ackroyd, um amarrotado detetive particular e com habilidade de se teletransportar.

(Texto traduzido e adaptado do post “Something Old, Something New…”, escrito originalmente por George R.R. Martin em seu blog pessoal em 12 de junho de 2017 e publicado em www.georgerrmartin.com.br, o site oficial do autor mantido pela LeYa, em 16 de julho de 2017.)

 


 

George R.R. Martin nasceu em 1948 em Nova Jersey e é formado em jornalismo pela Northwestern University, em Chicago. Publicou sua primeira história de ficção científica, “O herói”, em 1971, e logo se firmou como escritor de rara qualidade, ganhando três Hugos, dois Nebulas e o Prêmio Bram Stoker. Passou dez anos em Hollywood como roteirista e editor de histórias nos seriados de TV Além da imaginação e A Bela e a Fera– neste último como roteirista e produtor. Depois, iniciou sua fantástica série “As Crônicas Gelo e Fogo”, que deu origem ao sucesso da HBO – Game of Thrones. A série conta até agora com os títulos A guerra dos tronos, A fúria dos reis, A tormenta de espadas, O festim dos corvos e A dança dos dragões, todos publicados pela LeYa. Outros livros do autor lançados pela LeYa são: A morte da luz, A filosofia de Tyrion Lannister, O cavaleiro dos Sete Reinos, O dragão de gelo, Sonho febril, Mulheres perigosas, Caçador em fuga, a série “Wild Cards” e as graphic novels O cavaleiro andante, A espada juramentada e A guerra dos tronos (vols. I, II, III e IV).