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Pio XII, o papa injustiçado

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Durante décadas, a história traçou Eugenio Pacelli, o papa Pio XII, como nazista ou, no mínimo, um pontífice que fez vista grossa aos avanços do “Führer”. Diversos estudos e livros foram redigidos reforçando essa versão. Mas, ao levantar novos dados e documentos históricos, Mark Riebling, consegue nos mostrar em O papa contra Hitler a verdade sobre essa figura polêmica.

Nascido em Roma, em 2 de março de 1876, Pacelli foi, em seu tempo de cardeal, um adversário ferrenho do nazismo. Ao longo do regime de Hitler, fez diversas criticas e chegou, em uma encíclica, quando ainda era Secretário de Estado do Vaticano, a acusar o ditador de um plano para exterminar a Igreja. Na época, os nazistas haviam começado a podar o ensino católico, demitindo professores e fechado escolas ligadas à religião. Além disso, criminalizaram suas organizações, censuram sua imprensa, fecharam seus seminários e confiscaram suas propriedades.

O conflito tinha tudo para se tornar uma perseguição – e os membros do alto escalão da Igreja começaram a temer uma separação total da Igreja alemã da Romana como rei Henrique VIII tinha feito anteriormente na Inglaterra. Os dirigentes do partido nazista inclusive afirmaram que, “após a derrota do bolchevismo e do judaísmo, a Igreja católica será o único inimigo restante”.

Com seu histórico antinazista, Pacelli foi visto com receio pelo governo alemão a ser eleito – um perfil seu foi pedido pouco tempo após a confirmação do seu pontificado. Não estava em questão se o novo papa combateria Hitler, mas como.

Foi com certa surpresa que o mundo viu o Vaticano se mostrando neutro durante a Segunda Guerra. Ainda que o papa tivesse se posicionado contra a perseguição de judeus na Polônia após a invasão nazista e pregado sobre unidade da raça humana, numa clara crítica à filosofia nazista, Pio XII poucas vezes se pronunciou ao longo da guerra. Como um estrategista, percebeu que uma luta aberta contra Hitler não seria efetiva, pois a igreja estava fraca e a conquista da Abissínia pela Itália e a anexação da Áustria pela Alemanha já tinham exposto divisões profundas entre o Vaticano pacifista e os bispos nacionalistas. Ele percebeu que seu poder sobre as igrejas locais era total na teoria, mas parcial na prática. Uma posição formal contra o nazismo poderia criar um cisma na Fé.

O único modo de a Igreja poder lutar seria por meio de métodos mais astutos. Segundo o major da SS Albert Hartl, responsável pelo perfil do novo papa, existiam três formas dela agir: a militância, o motim e a espionagem, sendo a espionagem o mais importante. E foi exatamente com esta última que papa atacou.

Para saber mais sobre a cruzada de Pio XII contra o nazismo, leia O papa contra Hitler. Já nas livrarias.