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“Subcidadania brasileira”, lançamento de Jessé Souza, confronta o mito do jeitinho brasileiro

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Reconhecido como um dos mais polêmicos e corajosos intelectuais dispostos a debater o Brasil na atualidade, Jessé Souza está prestes a publicar seu próximo livro. Subcidadania brasileira: Para entender o país além do jeitinho brasileiro certamente provocará muitas discussões ao confrontar teses amplamente difundidas – como aquelas que colocam no caráter de nosso povo a origem de mazelas como a corrupção e a manutenção de privilégios.

O livro, que será lançado em junho, acaba de entrar em pré-venda. E para apresentá-lo ao público, Jessé e o jornalista Luis Nassif promoveram, na noite desta terça, 20 de maio, um debate online transmitido pelas páginas da LeYa, Jornal GGN e TV PUC no Facebook e no YouTube.

Segundo o autor, a tese que interpreta o comportamento do brasileiro sob a égide das emoções é sustentada por três grandes pilares das ciências sociais brasileiras: Sérgio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro e Fernando Henrique Cardoso. Resumidamente, ela tende a caracterizar o povo brasileiro como pouco racional e propenso a dividir o mundo entre amigos e inimigos. A corrupção seria então algo endêmico, fruto desta visão de mundo. Para Jessé, esta tese apenas sustenta o tão conhecido complexo de vira-lata do brasileiro, além de reforçar a visão de que o país nunca “dará certo”, e de que a corrupção toma conta do Estado, mas não existe na esfera privada ou no mercado.

O contraponto a esta linha de interpretação hegemônica seria colocar em pauta questões que não costumam aparecer nas teses citadas acima, como a desigualdade e o legado da escravidão. É exatamente este o objetivo de Subcidadania brasileira: analisar e problematizar a criação de um imaginário que produz pessoas consideradas socialmente inferiores, e discutir os impactos desta crença na vida social e política do país.

Jessé afirmou: “O capitalismo não tem só uma dimensão econômica, mas tem hierarquias morais que dizem sobre o valor relativo das pessoas. A classe média se distancia das classes populares. Você tem esse nível da indignidade, da subumanidade e exclusão dessas pessoas de várias dimensões da vida social. O que as sociedades europeias têm que a nossa não tem? Houve um esforço histórico, um projeto político, para igualar minimamente todos os seres humanos. Isso nunca aconteceu aqui, exatamente porque esse tipo de interpretação hegemônica oculta essa questões. E tendemos a pensar, no senso comum, que essas avaliações são individuais, mas não, elas são socialmente compartilhadas.”

Esta linha que separa quem é gente humana e quem é “subgente” contamina a dimensão política, e gera, por exemplo, o tipo de afirmação de que pobres não sabem votar, pois são manipulados. “E assim é retirada dessas pessoas a capacidade de compreensão e expressão pelo voto. São questões que não foram resolvidas entre nós até hoje”, argumentou o autor.

Para Jessé, apenas a produção de uma discussão intelectual contra hegemônica e sua chegada à opinião pública poderá alterar este quadro. “Os excluídos precisam ter uma nova leitura sobre quem deve representar seus interesses. A interpretação hegemônica favorece a elite, que seguirá promovendo a rapina do Estado para a manutenção de seus interesses e privilégios”, finalizou.

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